quarta-feira, 17 de junho de 2009

Mudando de assunto

Hoje resolvi falar sobre um assunto diferente mas sem fugir do tema desigualdade.


A violência contra a mulher.


Há anos a mulher sofre com a violência, as desigualdades entre os generos existe desde que o mundo é mundo talvez por sermos mais fracas ou mais delicadas.Nada justifica atos como o que vemos diariamente em nossa sociedade mas o que intriga é que apesar de estarmos no século 21 ao nos depararmos com alguns índices parece estarmos na idade da pedra.


Deem só uma olhada nesses números.

  • Pelo menos 27% das mulheres afirmaram serem vitimas de algum tipo de violência física cometidas na grande maioria das vezes pelos parceiros ou ex-maridos.

  • 19% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência por homens e 16% relataram que foram agredidas fisicamente.

  • Nos Estados Unidos, uma mulher é espancada por seu marido ou parceiro a cada 15 segundos.

  • Na Inglaterra, por semana, duas mulheres são mortas pelos seus parceiros. No Egito, 35% dizem ter apanhado do marido.

  • Na Zâmbia, cinco mulheres são assassinadas por semana.

  • Na África do Sul, 147 mulheres são estupradas todos os dias.

  • Na França, 25 mil mulheres são violentadas a cada ano.

  • Nos Estados Unidos, uma é estuprada a cada 90 segundos.


Apesar desses números que me chocaram estive em alguns lugares que trabalham em favor das mulheres e consegui algumas entrevistas,infelizmente eu não consegui fotos mais em uma das delegacias conversando com uma das vitimas de agressão percebi que a principal motivo delas não denunciarem são os filhos.


Contarei um pouco da historia de um dessas mulheres na qual apelidei de Maria.

Ela tem hoje 46 e sofreu durante 15 anos com as agressões do marido,mãe de dois filhos me disse que por muitas vezes sai de casa mais quando resolveu denunciar a policia disse que ela perderia a guarda das crianças ela continuou apanhando calada.

Hoje como seus filhos já tem idade suficiente para decidirem com quem quer ficar resolveu sair e brigar por mudança de vida.

Essa historia mexeu comigo e pesquisando sobre o assunto encontrei muitas associações que trabalham contra a violencia mas tem uma que me chamou a atencao por fazerem um trabalho diferente e muito interessante.

As Católicas pelo Direito de Decidir

http://www.catolicasonline.org.br/


Uma associação que alem de defender a mulher tem uma pensamento religioso muito diferente do que vemos hoje.

Católicas pelo Direito de Decidir (CDD/Br), fundada no Brasil em 8 de março de 1993, é uma organização não-governamental feminista que busca justiça social, o diálogo inter-religioso e a mudança dos padrões culturais e religiosos que cerceiam a autonomia e a liberdade das mulheres, especialmente no exercício da sexualidade e da reprodução.
CDD/Br respeita a diversidade como necessária à realização da liberdade e da justiça. Afirma o valor de uma sociedade plural, apoiando a laicidade do Estado como condição para a realização da democracia.
Católicas trabalha em defesa da igualdade nas relações de gênero, da plena cidadania e dos direitos humanos das mulheres (notadamente os direitos sexuais e os direitos reprodutivos), reconhecendo nelas autoridade moral e capacidade ética para tomar decisões sobre todos os campos de suas vidas.

Segue parte da entrevista.

Como funciona o trabalho contra a violência a mulher?

Nós somos uma entidade que busca fundamentalmente a mudança de mentalidade, atuando por uma transformação dos padrões culturais que afetam a dignidade e a vida das mulheres.
Trabalhamos pela aprovação de leis que garantam os direitos sexuais e os direitos reprodutivos das mulheres e por sua efetiva implementação. Realizamos pesquisas em nível acadêmico sobre o lugar da religião na sociedade e o papel que exerce na vida das mulheres, buscando promover um diálogo consistente e profundo com os mais diversos setores da sociedade.
Participamos de diversas campanhas no país: pela legalização do aborto, de prevenção da aids, por uma Convenção Interamericana pelos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, contra a homofobia, pelo fim da violência contra as mulheres e pela laicidade do Estado, entre outras.
Atuamos em parceria com diversos movimentos sociais, especialmente os movimentos de mulheres e LGBTTI, e integramos redes nacionais e regionais.

Como é feito para integrar a sociedade nos trabalhos e divulga-los?

Para alcançar nossos objetivos, realizamos cursos, palestras, seminários, debates. Produzimos e distribuímos publicações específicas (livros, cadernos e cartilhas), vídeos e programas de rádio. Também divulgamos nosso pensamento por meio de um site na internet (www.catolicasonline.org.br) e da publicação de artigos, releases e entrevistas para os meios de comunicação de massa.

Vocês trabalham com seminários treinamento/sensibilização. Como são realizados e qual tem sido o retorno?

Nós temos uma ação bastante ampla neste campo. Tanto participamos de eventos realizados por outras entidades, como também os organizamos, dentro de nossos projetos específicos. Assim, atingimos desde pessoas ligadas a universidades, sindicatos, associações de classe, movimentos sociais, profissionais de saúde e do direito, como também trabalhamos com jovens, pessoas ligadas a igrejas ou movimentos religiosos, e demais pessoas interessadas em nossos conteúdos, ou seja, atuamos com os públicos mais diversos.
Nosso diferencial é trabalhar com o cruzamento entre direitos das mulheres (direitos sexuais e reprodutivos, mas pelo direito a uma vida livre de violência, entre outros) e conteúdos religiosos. Não conhecemos nenhuma outra entidade no país que faça trabalho similar, então normalmente temos uma boa recepção às nossas idéias. Por exemplo, dificilmente as pessoas se dão conta do quanto certos ensinamentos religiosos, que recebemos desde criança, colaboram para que as mulheres sofram violência, pois estão baseados na desigualdade entre homens e mulheres, supervalorizando e empoderando os homens em detrimento da dignidade e da autonomia das mulheres. uitas vezes, as pessoas saem dos eventos comentando que nunca tinham se dado conta disso e passam a perceber que, claro, há ensinamentos religiosos importantes e valiosos para uma vida digna e um mundo justo, mas há outros que são machistas e promovem desigualdade, violência e sofrimento – esses a gente não têm obrigação de aceitar. Se as pessoas se propõem a refletir sobre o que estamos dizendo, então já ficamos satisfeitas com o trabalho realizado.
Claro que temos também reações contrárias, especialmente do que chamamos fundamentalistas, ou seja, pessoas com posições muito conservadoras que acham que estamos desrespeitando a religião. Nós não respeitamos a crença de ninguém, temos muito cuidado com isso. Normalmente, essas pessoas reagem de forma agressiva, com ameaças inclusive, mas não nos deixamos abalar, pois temos firme convicção da justiça que existe em nosso trabalho.

Onde se encontram as principais dificuldades quando se trata de violência domestica?Ainda sobre o assunto o que você acredita ser o principal motivo das mulheres não denunciarem?

Há muitas dificuldades ainda, infelizmente, ainda que já tenhamos progredido muito. Algumas das principais dificuldades residem justamente na desigualdade de gênero: homens são vistos, ainda, na nossa sociedade, como mais valorosos, que têm acesso ao conhecimento e ao poder; as mulheres ainda são tidas como incapazes, que precisam ser tuteladas, cuidadas por um homem. Assim, a idéia de que os homens podem "corrigir" suas esposas é bastante comum, o que legitima e naturaliza a violência.
A forma de se ver as mulheres como objeto é outro fator importante, pois isso faz com que homens pensem que podem, de forma geral, tratar as mulheres como "coisas que lhes pertencem" , o que é um legitimador de violência.
Outra dificuldade que deriva dessa desigualdade de gêneros é que as mulheres têm salários menores do que os homens, em média, quando realizam as mesmas funções com a mesma competência, ainda que tenham normalmente tempo de estudo maior do que eles. Isso gera muita dificuldade para que mulheres possam ser independentes financeiramente, o que faz com que muitas se submetam a homens que as maltratam por puro medo de não conseguir se sustentar. Também a nossa sociedade, ainda muito machista, encara o cuidado dos filhos como obrigação quase que exclusiva das mulheres, e conciliar trabalho e cuidado com a prole não é tarefa simples, o que também reforça a dependência econômica das mulheres.
Por fim, ainda vivemos numa cultura de violência e pessoas que crescem num lar violento não percebem que há outras formas de relacionamento entre homens e mulheres, porque muitas vezes conheceram apenas aquela forma cheia de agressões, ofensas, humilhações etc. Para elas, às vezes é mais difícil romper com uma situação que consideraram normal, natural, porque viveram sempre assim.
E a religião, infelizmente, contribui muito mais do que a gente imagina para que essa desigualdade entre homens e mulheres exista e perdure.


Quais as principais regiões de São Paulo que vocês atuam?

Não fazemos atendimento direto às mulheres que sofrem violência, nem outro tipo de atendimento, pois existem entidades que o fazem, como centros de referência no atendimento à violência, casas abrigo, entre outras. Nosso escritório fica na Bela Vista, bairro central da capital de São Paulo, mas organizamos e participamos de eventos em todo o país. No Norte e Nordeste do Brasil, temos mulheres que são multiplicadoras de nossos conteúdos, então, além das próprias integrantes da ONG, há muitas pessoas fazendo com que nosso trabalho seja mais conhecido em todo o Brasil. Mas também temos uma ação regional, na América Latina, pois existem outras CDDs em diversos países, que trabalham em rede e fazem ações conjuntas.


Um dos principais temas é a religião,você acredita ser possível mudar pensamentos tão antigos como por exemplo o da igreja católica ser contra o aborto?

Claro que sim, não só acreditamos nisso, como trabalhamos muito para que isso aconteça. Agora, outra coisa bem diferente é pensar que isso vai ser fácil. Não é fácil, não vai ser simples. Mas nós continuamos a trabalhar intensamente, movidas por um ideal que se mostra cada dia mais pertinente e necessário para construir um mundo justo, igualitário, em que homens e mulheres tenham o mesmo valor e respeito e o mesmo direito à dignidade e autonomia.


As perguntas foram respondidas por Valéria Melki Busin,que tambem deixou essa mensagem que eu acredito concluir e fechar esse post com chave de ouro.


Nós temos de pensar em nós, mulheres, como seres de direito, que precisamos ter nossa dignidade reconhecida e respeitada. Acima de tudo, não podemos admitir injustiça, machismo, desigualdade. E brigar sempre por nossa autonomia e pelo nosso direito a decidir sobre nosso corpo, nossa vida.
O inconformismo é um começo, a militância em movimentos sociais é importante, mas começar com a gente mesma, em nossas atitudes na vida cotidiana, já fazem toda a diferença!


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